Mensuração de Riscos Psicossociais: Guia Prático Segundo a NR-1
A saúde mental nas organizações brasileiras nunca esteve tão em evidência. O crescimento dos afastamentos do trabalho por doenças psicossociais alcançou quase 500 mil afastamentos de trabalhadores formais no país em 2024, um salto de 68% em relação a 2023, com Minas Gerais respondendo por quase 40 mil deles, segundo dados divulgados pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O cenário mostra o tamanho do desafio e a necessidade de uma atuação responsável da gestão empresarial.
O que são riscos psicossociais e fatores de risco psicossocial?
Antes de avançar, vale esclarecer: riscos psicossociais não são o mesmo que fatores psicossociais. Um erro comum, mas que faz diferença na aplicação prática.
De forma didática, riscos psicossociais são resultados da interação entre o contexto de trabalho e características individuais, podendo ocasionar impactos negativos à saúde mental e física dos trabalhadores. Já os fatores de risco psicossocial correspondem aos elementos que contribuem, ou até mesmo desencadeiam, situações de risco.
- Fatores de risco psicossocial: carga de trabalho elevada, metas abusivas, assédio moral, falta de clareza nas funções, más relações interpessoais, ausência de apoio pela liderança, jornadas extensas ou imprevisíveis.
- Riscos psicossociais: consequências derivadas desses fatores, como estresse crônico, ansiedade, depressão, burnout, afastamentos por adoecimento e conflitos organizacionais.
Riscos psicossociais não se limitam ao indivíduo, comprometem resultados e a reputação organizacional.
NR-1 e legislação: O que mudou para empresas?
Em agosto de 2024, a atualização da NR-1 estabeleceu a obrigatoriedade de gerenciamento de riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Empresas de todos os portes e setores, públicas e privadas, precisam documentar a identificação, avaliação e controle dos fatores psicossociais, incluindo assédio moral, sobrecarga e violencia psicológica, como explicitado pelo Ministério do Trabalho. A partir de 26 de maio de 2025, entra em vigor o prazo legal para aplicação prática dessas exigências, segundo comunicado oficial.
Além disso, relatórios do Ministério da Previdência revelam que, em 2024, houve mais de 472 mil benefícios concedidos por transtornos mentais, mas apenas cerca de 9.800 tiveram como causa reconhecida o trabalho, um dado que alerta para a subnotificação e reforça a importância da mensuração correta.
Por que medir riscos psicossociais? Impactos e benefícios
Mensurar riscos psicossociais é uma exigência legal e um caminho para proteger a saúde dos colaboradores, prevenir passivos judiciais e melhorar o clima organizacional. Faz diferença na rotina das empresas por três motivos centrais:
- Evita multas e autuações dos órgãos fiscalizadores.
- Reduz afastamentos e custos decorrentes de adoecimento ocupacional.
- Fortalece a imagem da empresa e amplia a atração e retenção de talentos.
A Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho salienta que quase 45% dos colaboradores europeus percebem fatores psicossociais negativamente, entre eles sobrecarga e falta de apoio (fonte). No Brasil, a experiência não tem sido diferente, como mostram os recentes dados de afastamento.
Para compreender mais sobre prevenção, recomenda-se a leitura deste artigo sobre prevenção de riscos psicossociais no blog Sandora.
Etapas da avaliação de riscos psicossociais no ambiente de trabalho
O processo para identificar, avaliar e monitorar riscos psicossociais segue etapas claras, alinhadas à NR-1. Abaixo, um roteiro prático seguido por especialistas da Sandora:
- Mapeamento do ambiente: análise dos setores e processos onde há maior exposição a fatores de risco.
- Identificação dos fatores psicossociais: levantamento do que pode gerar adoecimento, como pressões, relações de poder ou condições precárias.
- Coleta de dados: utilização de questionários, entrevistas, canal de denúncias sigiloso e banco de dados sobre saúde mental.
- Avaliação e priorização: classificação dos riscos conforme potencial de dano e frequência, identificando onde agir primeiro.
- Implementação de medidas de controle: ajustes em políticas e processos, treinamentos, ações de suporte psicológico e revisão das condições de trabalho.
- Monitoramento contínuo: acompanhamento por meio de indicadores e revisão periódica das estratégias.
Para detalhamento do mapeamento psicossocial, o conteúdo mapeamento de riscos psicossociais traz orientações práticas e exemplos de sucesso.

Instrumentos recomendados: Da ergonomia aos sistemas automatizados
A NR-1 recomenda práticas que se atualizam com o tempo. A integração entre métodos tradicionais e soluções digitais é uma tendência segura. Entre os principais instrumentos práticos estão:
- Questionários padronizados e validados internacionalmente, como o COPSOQ e o Job Stress Scale.
- Entrevistas anônimas e grupos focais, conduzidos por profissionais especializados.
- Observação direta do ambiente de trabalho e avaliação ergonômica, considerando a relação entre condições físicas e mentais.
- Sistemas automatizados de coleta, processamento e análise de dados, como os oferecidos pela Sandora, que centralizam informações, garantem confidencialidade e agilidade.
- Canal de denúncias seguro e manutenção de relatórios auditáveis.
Tecnologia bem aplicada transforma dados em ações concretas.
Para saber mais sobre políticas institucionais e práticas efetivas de prevenção, consulte o artigo sobre políticas para prevenção de riscos psicossociais no blog Sandora.
Liderança, comunicação e profissionais especializados: Papéis-chave
Introduzir boas práticas de gestão psicossocial demanda o envolvimento ativo da liderança, comunicação transparente e o suporte de especialistas em saúde mental e segurança do trabalho. O gestor tem a função de promover ambientes inclusivos, de escuta ativa e onde os riscos são identificados antes de viraem crises.
Algumas estratégias recomendadas por especialistas da Sandora:
- Criar campanhas internas para sensibilização e redução do estigma.
- Treinar gestores e lideranças para identificar sinais precoces de adoecimento.
- Garantir a confidencialidade na coleta e uso dos dados.
- Formalizar políticas institucionais que coíbam práticas abusivas.
- Investir em atendimento psicológico e suporte multidisciplinar.
O acompanhamento de psicólogos, profissionais de RH, ergonomistas e engenheiros de segurança do trabalho é fundamental para gerar resultados sustentáveis, pois eles conseguem olhar para toda a cadeia produtiva e captar nuances que geralmente passam despercebidas.

Medidas preventivas e políticas institucionais eficazes
Grandes mudanças começam com medidas simples. Instituir políticas e práticas preventivas é o melhor caminho para promover ambientes saudáveis e sustentáveis.
- Estabelecimento de programas de preparação de líderes para gestão empática e não autoritária.
- Definição clara de funções, metas e feedbacks transparentes.
- Organização de jornadas flexíveis e respeito ao direito à desconexão.
- Rotina formal de reconhecimento e valorização dos esforços individuais e coletivos.
- Normas internas contra discriminação, assédio ou violência de qualquer tipo.
- Promoção da diversidade e inclusão como parte da cultura organizacional.
- Oferecimento de treinamentos contínuos, palestras e rodas de conversa.
O artigo NR-1: guia prático para gestão de riscos psicossociais traz exemplos aplicáveis para diferentes portes e setores empresariais.
Boas políticas transformam ambientes antes invisíveis em lugares de evolução contínua.
Conclusão: Agir é a melhor forma de cuidar
Não se trata apenas de cumprir a lei, mas de criar ambientes mais humanos e produtivos. O custo da omissão é alto, e os benefícios de uma boa gestão são percebidos por todos: menos afastamentos, melhora do clima de trabalho e relevância institucional.
A Sandora oferece uma solução completa e automática para avaliação, monitoramento e redução dos riscos psicossociais, incluindo diagnóstico gratuito, treinamentos certificados e atendimento profissional. Descubra agora como proteger sua empresa e cuidar do maior patrimônio do seu negócio: as pessoas.
Perguntas frequentes sobre riscos psicossociais e mensuração na NR-1
O que são riscos psicossociais no trabalho?
Riscos psicossociais no trabalho são situações e condições advindas da organização do trabalho, relações interpessoais, demandas emocionais e contexto psicossocial capazes de impactar negativamente a saúde mental e física dos colaboradores. Isso inclui desde altos níveis de estresse até consequências como burnout e depressão.
Como medir riscos psicossociais segundo a NR-1?
A NR-1 orienta uma gestão baseada em dados e etapas documentadas: identificar fatores de risco, coletar informações por entrevistas, questionários ou canais de comunicação internos, avaliar os dados, priorizar ações e monitorar constantemente. Empresas podem adotar métodos manuais ou sistemas automatizados, como os disponibilizados pela Sandora, para integrar segurança, saúde mental e registros auditáveis.
Quais instrumentos usar para avaliação psicossocial?
Os instrumentos mais utilizados incluem questionários validados (COPSOQ, Job Stress Scale), entrevistas anônimas, grupos focais, avaliações ergonômicas e sistemas automatizados de coleta e análise. O importante é garantir sigilo, participação voluntária e análise profissional dos dados.
Por que mensurar riscos psicossociais na empresa?
A mensuração previne doenças, reduz afastamentos, protege contra sanções legais, melhora o clima de trabalho e fortalece a reputação da empresa. Além de exigência legal a partir de 2025, é comprovadamente vantajosa para todos, conforme dados do Ministério do Trabalho e pesquisas internacionais.
Quais empresas precisam avaliar esses riscos?
Segundo a atualização da NR-1, todas as empresas no Brasil, independentemente do porte ou ramo de atividade, serão obrigadas a avaliar e controlar os fatores psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) a partir de maio de 2025. A medida vale para setores públicos e privados.
